Marina reforça responsabilidade privada na prevenção de incêndios
Ministra participou
ontem de audiência pública na Câmara dos Deputados
Em audiência pública
na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, na
Câmara dos Deputados, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina
Silva, alertou nesta quarta-feira (16) sobre a importância de a iniciativa
privada trabalhar junto aos governos federal, estadual e municipal na prevenção
aos incêndios. Segundo a ministra, é necessário que fazendas também mantenham
estruturas preventivas e brigadas próprias para atuar nessas áreas. “Se você
tem uma farmácia, tem ali medidas e hidrantes para apagar o fogo. Da mesma
forma, precisamos estar equipados onde não é possível estar o Corpo de
Bombeiros”, afirmou, sobre o emprego de recursos públicos nos incêndios
ocorridos em áreas privadas no estado de São Paulo.
Marina ressaltou que
foram enviados para o estado paulista brigadistas e uma aeronave da Força Aérea
Brasileira, com alta capacidade de transporte de água e enfrentamento ao fogo, mas
se esforços de prevenção também tivessem sido empregados, os equipamentos
poderiam ser melhor direcionados para áreas públicas federais, que são de fato
responsabilidade da União. “São Paulo é, de longe, o estado mais rico, de longe
o estado que tem maior capacidade de infraestrutura: são mais de 8 mil pessoas
no Corpo de Bombeiros, chegando a quase 9 mil. A iniciativa privada tem
brigadistas que são treinados para cuidar de suas propriedades”, destacou.
Por outro lado,
segundo a ministra, há estados e regiões onde o poder público ainda não tem
essa capacidade de enfrentamento a incêndios florestais. Nesses casos, o
governo federal entra, para além daquilo que é sua responsabilidade. “No caso
do Pantanal, isso é notório. O maior contingente era nosso, a maior quantidade
de equipamento também”, afirmou. De acordo com Marina, quase 900 pessoas atuam
no Pantanal. Na Amazônia, embora 60% do território seja de área pública
federal, o governo federal atua em mais de 70% da região, enfrentando os
incêndios florestais.
“O governo federal tem
trabalhado, não só em parceria com os estados, mas também com a iniciativa
privada, inclusive ajudando a iniciativa privada. Porque diferentemente de São
Paulo, Rio e Minas, que são estados com maior condição em termos econômicos, a
maioria não tem essas estruturas”, disse.
Financiamento
A ministra lembrou que
foram destinados do Fundo da Amazônia mais de R$ 400 milhões para equipar o
Corpo de Bombeiros nos estados, mas que isso é insuficiente. “Também é
necessário que a iniciativa privada tenha um programa estruturado de
enfrentamento ao fogo.” Marina sugeriu que o Banco da Amazônia poderia ter uma
linha de crédito de financiamento com juros mais reduzidos para que empresas
fiquem, “devidamente equipadas” para esse enfrentamento.
Crime
Por outro lado, a
ministra afirmou que todo o esforço preventivo e de enfrentamento não será
suficiente se o fogo por ação humana não acabar, seja se origem culposa, sem
intenção, ou dolosa, “quando se tem a intenção deliberada de queimar”. “No caso
de São Paulo, os incêndios começaram 10h45 da manhã. À uma da tarde, 17
municípios já estavam pegando fogo. Em mais de 300 cidades foi ateado fogo e
mais de 26 pessoas foram presas, porque o faziam de forma criminosa”, afirmou. Em
São Félix do Xingú, no Pará, um jornal local publicou declarações de pessoas
insatisfeitas com a desocupação de uma unidade de conservação. Por eeste
motivo, ameaçavam incendiar o local.
Corte orçamentário
A ministra destacou
ainda que, mesmo com a antecipação das ações pelo governo federal, e com a
recuperação de 37% no orçamento da pasta – após cortes de R$ 18,4 milhões –
continua sendo necessário a incrementação constante de ações e de recursos
públicos, que poderiam ser economizados com prevenção compartilhada. “Obviamente
que precisamos ampliar os recursos, mas o que nós precisamos mesmo é que as
pessoas não coloquem fogo. Senão vamos ficar simplesmente pegando dinheiro
público e utilizando para algo que preventivamente se poderia fazer, o recurso
nunca será suficiente.”
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