Disputa na Câmara aplica equação em que todos ganham, menos o orçamento público
A Câmara dos Deputados atingiu, neste ano, um nível de hostilidade entre os parlamentares que há muito não se via. A convivência entre os extremos ganhou ares de ringue, e as discussões cotidianas descambaram para confrontos físicos, resultando em situações absolutamente lamentáveis. Observado esse cenário belicoso, uma unanimidade sobre qualquer tema parecia improvável. Nas últimas semanas, porém, os parlamentares protagonizaram uma raríssima convergência. Após a confirmação da candidatura de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Casa, partidos da direita à esquerda se alinharam em apoio ao congressista — incluídos o PT, do presidente Lula, e o PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro. O caminho do entendimento vem sendo celebrado como uma demonstração de civilidade política, um movimento sincronizado na direção de uma governança equilibrada em que, aparentemente, todos só têm a ganhar. Conhecido pelo seu perfil moderado e pelo bom trânsito entre os diversos espe...